Minha primeira tentativa como esportista foi no handebol. Magrelo, não tinha porte físico que aguentasse o tranco, virei goleiro. Escolha infeliz. Se goleiro já é uma posição ingrata no futebol, no handebol é puro masoquismo. Tanto apanha quanto leva bolada. Sem falar do estigma natural da posição que é carregar a culpa pela derrota. Goleiro pode ir de herói a vilão em poucos segundos.
Estudava numa escola que tinha o melhor ginásio esportivo da época. Então era comum em nossos treinos a presença de atletas veteranos. Alguns até já consagrados, integrantes da seleção amazonense e até brasileira.
Numa dessas, faltava um para completar o coletivo e o treinador chamou o Piolho - ponta direita da seleção, um gigante que derrubava a trave com um arremesso só pra assustar o goleiro. Para meu azar Piolho entrou no time adversário. Pois bem... em determinada jogada lá vem Piolho já sem marcador, saí em "X", característica de goleiro de handebol, todo aberto... Piolho arremessou... bem onde não devia, no meio do "X"... Defendí o gol certo, mas passei muitos anos com a desconfiança de que jamais teria filhos.
Adriano Trinta
Vitrine
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Paixão de menino
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Crônicas e Histórias
Filha de Dona Cleide e de seu Mário, Cleidemar escapou de ser batizada Maricleide, mas definitivamente qualquer dos dois nomes não fariam jus à beleza da dona.
Eu era ainda menino de tudo e Cleidemar apesar de ter a mesma idade cronológica já tinha ares de moça feita.
Estudávamos na mesma turma da escola. Naquele tempo as mesas eram para dois, sentávamos sempre juntos. Quem chegava primeiro guardava o lugar para o outro, dividíamos o lanche, ela sempre trazia alguma coisa diferente para comermos e eu retribuía com bombons sonho de valsa ou serenata de amor.
Foi minha segunda paixão, após a desilusão da primeira - minha professorinha do primeiro ano. Viví esse idílio por um ano inteiro. Até Cleidemar descobrir que era minha namorada e terminar tudo comigo.
Adriano Trinta
Eu era ainda menino de tudo e Cleidemar apesar de ter a mesma idade cronológica já tinha ares de moça feita.
Estudávamos na mesma turma da escola. Naquele tempo as mesas eram para dois, sentávamos sempre juntos. Quem chegava primeiro guardava o lugar para o outro, dividíamos o lanche, ela sempre trazia alguma coisa diferente para comermos e eu retribuía com bombons sonho de valsa ou serenata de amor.
Foi minha segunda paixão, após a desilusão da primeira - minha professorinha do primeiro ano. Viví esse idílio por um ano inteiro. Até Cleidemar descobrir que era minha namorada e terminar tudo comigo.
Adriano Trinta
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Os embalos de sábado a noite
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Crônicas e Histórias
OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE
Que privilégio ter vivido os anos 70/80, no tempo das discotecas e dos embalos de sábado a noite. Sim! As baladas chamavam-se embalos e noite de embalo era o sábado. Discotecas eram o templo sagrado dos dançarinos, profusão contagiante de cores, luzes e sons. Onde os rapazes se transformavam em John Travolta e as moças em Olívia Newton John.
A produção visual era de lei. Muita cor, muito brilho da cabeça aos pés. Meu traje preferido era uma calça pantalonas de acetinado marrom, camisa branca de gola alta e indefectíveis sapatos caramelo - iguais aos do Travolta, claro. Corrente com crucifixo no pescoço, penteado armado no gel e estava pronto mais um Tony Manero - personagem central do famoso filme que dá titulo a este post. Não dançava como ele, mas que tentava, tentava.
Tenho saudade dos embalos daquela época. As baladas de hoje não chegam nem perto em animação e glamour. Não haviam os recursos tecnológicos nem as superproduções disponíveis atualmente, mas havia algo que não sei descrever exatamente e que fazia toda a diferença... Acho que era a grandeza da alma de artista que tomava conta de todos nós. Só isso... Ou tudo isso!
Adriano Trinta
Que privilégio ter vivido os anos 70/80, no tempo das discotecas e dos embalos de sábado a noite. Sim! As baladas chamavam-se embalos e noite de embalo era o sábado. Discotecas eram o templo sagrado dos dançarinos, profusão contagiante de cores, luzes e sons. Onde os rapazes se transformavam em John Travolta e as moças em Olívia Newton John.
A produção visual era de lei. Muita cor, muito brilho da cabeça aos pés. Meu traje preferido era uma calça pantalonas de acetinado marrom, camisa branca de gola alta e indefectíveis sapatos caramelo - iguais aos do Travolta, claro. Corrente com crucifixo no pescoço, penteado armado no gel e estava pronto mais um Tony Manero - personagem central do famoso filme que dá titulo a este post. Não dançava como ele, mas que tentava, tentava.
Tenho saudade dos embalos daquela época. As baladas de hoje não chegam nem perto em animação e glamour. Não haviam os recursos tecnológicos nem as superproduções disponíveis atualmente, mas havia algo que não sei descrever exatamente e que fazia toda a diferença... Acho que era a grandeza da alma de artista que tomava conta de todos nós. Só isso... Ou tudo isso!
Adriano Trinta
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Peixe morre pelos olhos
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Crônicas e Histórias
Canoa amarrada num tronco de árvore, Tio Dico e eu na paciente espera do pescador desde cedo da manhã. Já era hora do almoço e nada de pegar peixe algum, a despeito dos tucunarés pulando no lago, provocadores em volta da canoa, mas fisgar que é bom, nem com nojo!
Tio Dico lastimava não termos levado equipamento algum além dos caniços, anzóis e iscas de pirão de farinha d´agua. Tivéssemos iscas artificiais e esses bichões não estariam fazendo graça dizia ele, com a autoridade de muitos anos de pesca. Segundo ele o tucunaré é facilmente atraído pelo multicolorido das iscas imitando peixinhos. Isso não tínhamos, mas eu estava vestido com uma camiseta de tecido sintético da seleção brasileira, amarelo-canário, novinha...
A necessidade é a mãe da invenção. Rasguei a camiseta, enrolei cuidadosamente um pedaço imitando um peixinho e amarrei junto ao anzol. O resultado não tardou a aparecer fisgado. Perdi a camiseta, mas almoçamos a mais deliciosa caldeirada de tucunaré de todos os tempos.
Adriano Trinta
Tio Dico lastimava não termos levado equipamento algum além dos caniços, anzóis e iscas de pirão de farinha d´agua. Tivéssemos iscas artificiais e esses bichões não estariam fazendo graça dizia ele, com a autoridade de muitos anos de pesca. Segundo ele o tucunaré é facilmente atraído pelo multicolorido das iscas imitando peixinhos. Isso não tínhamos, mas eu estava vestido com uma camiseta de tecido sintético da seleção brasileira, amarelo-canário, novinha...
A necessidade é a mãe da invenção. Rasguei a camiseta, enrolei cuidadosamente um pedaço imitando um peixinho e amarrei junto ao anzol. O resultado não tardou a aparecer fisgado. Perdi a camiseta, mas almoçamos a mais deliciosa caldeirada de tucunaré de todos os tempos.
Adriano Trinta
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Papai Noel me enganou
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Crônicas e Histórias
Passei o ano inteiro sendo um bom menino. Em verdade eu era mesmo bem comportado. Mas, por via das dúvidas, não fiz nem as poucas traquinagens a que me atrevia. Eu queria muito que Papai Noel atendesse meu pedido, registrado em cartinha confiada aos adultos que se incumbiram de entregá-la ao destinatário.
Pedi um revólver de espoleta, desejo comum entre os meninos da época, para brincar de mocinho e bandido na rua. Naquele tempo não havia ainda proibição e os revólveres de brinquedo eram imitação perfeita dos de verdade. Era um desses que eu queria. Queria muito!
Depois de uma espera que a mim pareceu a vida inteira, finalmente chegou a noite de Natal. Fui deitar cedo. Não conseguia dormir de tanta ansiedade. Mas, em algum momento devo ter cochilado... Quando acordei estava ao meu lado o tão sonhado presente. Melhor dizendo, estava ao meu lado um presente... Mas, não era o tão sonhado! Era um revólver sim, mas não o que eu havia esperado tanto. Era grande demais, não era de metal, era de plástico amarelo, com uma imensa cara de boi desenhada em alto relevo na coronha preta, e o pior... não era de espoleta! Não imitava o estampido de um tiro de verdade. Mal fazia um "plec" de plástico seco...
Triste e desapontado, afivelei o coldre - sim, havia um coldre, com estrela de xerife, que de tão grande batia no meu joelho - e agradeci, pra não deixar triste o Papai Noel, que com certeza havia feito o melhor que podia.
Mas, tristeza pouca é bobagem! Eu havia falado para todos os meninos da rua que iria ganhar o tal revólver . Cedo a meninada estava à minha porta, chamando para brincar com eles. Todos com seus revólveres estalando espoleta, fazendo barulho, espalhando cheiro de pólvora no ar. Eu nem quis sair para brincar com eles. Tentei evitar a humilhação. Mas, criança é bicho cruel. Acabaram descobrindo meu imenso "revólver de matar boi", que foi como batizaram meu presente. Fui motivo de gozação por muito tempo na rua e perdi a crença em Papai Noel.
Por Adriano Trinta
Pedi um revólver de espoleta, desejo comum entre os meninos da época, para brincar de mocinho e bandido na rua. Naquele tempo não havia ainda proibição e os revólveres de brinquedo eram imitação perfeita dos de verdade. Era um desses que eu queria. Queria muito!
Depois de uma espera que a mim pareceu a vida inteira, finalmente chegou a noite de Natal. Fui deitar cedo. Não conseguia dormir de tanta ansiedade. Mas, em algum momento devo ter cochilado... Quando acordei estava ao meu lado o tão sonhado presente. Melhor dizendo, estava ao meu lado um presente... Mas, não era o tão sonhado! Era um revólver sim, mas não o que eu havia esperado tanto. Era grande demais, não era de metal, era de plástico amarelo, com uma imensa cara de boi desenhada em alto relevo na coronha preta, e o pior... não era de espoleta! Não imitava o estampido de um tiro de verdade. Mal fazia um "plec" de plástico seco...
Triste e desapontado, afivelei o coldre - sim, havia um coldre, com estrela de xerife, que de tão grande batia no meu joelho - e agradeci, pra não deixar triste o Papai Noel, que com certeza havia feito o melhor que podia.
Mas, tristeza pouca é bobagem! Eu havia falado para todos os meninos da rua que iria ganhar o tal revólver . Cedo a meninada estava à minha porta, chamando para brincar com eles. Todos com seus revólveres estalando espoleta, fazendo barulho, espalhando cheiro de pólvora no ar. Eu nem quis sair para brincar com eles. Tentei evitar a humilhação. Mas, criança é bicho cruel. Acabaram descobrindo meu imenso "revólver de matar boi", que foi como batizaram meu presente. Fui motivo de gozação por muito tempo na rua e perdi a crença em Papai Noel.
Por Adriano Trinta
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Giselda
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Crônicas e Histórias
Giselda era linda! Um galináceo de primeira linhagem, alimentada com arroz e afagos. Contradizendo os mais velhos, nem morreu nem ficou mofina por ter sido criada desde os primeiros dias sob os carinhos da criançada. Era nosso bichinho de estimação, participava de todas as brincadeiras, nos seguia feito um cão de guarda e agia como se fosse. Vigiava a gente. Tinha ciúmes e gostava de dengues. Só faltava falar. Mas entendia tudo e nós, crianças, a entendíamos também.
Passou-se o tempo e Giselda tornou-se uma bela e formosa fasianídea. Passeava faceira pelo quintal e em todos que a viam despertava desejos de gula. Menos em nós, crianças, que tínhamos por ela apego sentimental.
Certo dia, sumiu Giselda! Procuramos pelos arredores, em vão! Descobrimos tempos depois seu paradeiro. Foi levada pelo padeiro, que de madrugada passava distribuindo seu produto pelas tabernas próximas. Sempre cobiçou a Giselda e a teve... na panela de sua casa!
Triste fim da bela Giselda!
Por Adriano Trinta
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
O joio e o trigo
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Curiosidades
O joio, uma erva daninha, comumente cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo".
Pode ser venenosa e uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto obtido. Portanto, vem daí a famosa expressão "é preciso separar o joio do trigo", um ditado popular. Da Wikipédia
Pode ser venenosa e uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto obtido. Portanto, vem daí a famosa expressão "é preciso separar o joio do trigo", um ditado popular. Da Wikipédia
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