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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Giselda


Giselda era linda! Um galináceo de primeira linhagem, alimentada com arroz e afagos. Contradizendo os mais velhos, nem morreu nem ficou mofina por ter sido criada desde os primeiros dias sob os carinhos da criançada. Era nosso bichinho de estimação, participava de todas as brincadeiras, nos seguia feito um cão de guarda e agia como se fosse. Vigiava a gente. Tinha ciúmes e gostava de dengues. Só faltava falar. Mas entendia tudo e nós, crianças, a entendíamos também.

Passou-se o tempo e Giselda tornou-se uma bela e formosa fasianídea. Passeava faceira pelo quintal e em todos que a viam despertava desejos de gula. Menos em nós, crianças, que tínhamos por ela apego sentimental.

Certo dia, sumiu Giselda! Procuramos pelos arredores, em vão! Descobrimos tempos depois seu paradeiro. Foi levada pelo padeiro, que de madrugada passava distribuindo seu produto pelas tabernas próximas. Sempre cobiçou a Giselda e a teve... na panela de sua casa! 

Triste fim da bela Giselda!

Por Adriano Trinta

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