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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Timidez

Timidez é pouco.

Eu era matuto mesmo. Tinha vergonha de tudo e de todos.

E por muitos anos passei apuros por conta desse acanhamento.

Na escola ficava vermelho só de ouvir meu nome na chamada. Tinha vontade de participar da aula, responder às perguntas da professora, mas era um tormento. Parecia que todo o o meu sangue era canalizado naquele momento para um único ponto, a minha face.

Resultou num apelido que eu, logicamente, não gostava. Camarão.

Algumas situações me travavam de tal maneira que falhava o raciocínio e o resultado era sempre um vexame maior.

Adolescente, precisei pela primeira vez comprar preservativos. Foi uma odisséia.

Chegava numa drogaria, era atendente mulher; eu com vergonha pedia Sonrisal. Na outra tinha gente no balcão; eu com vergonha pedia Sonrisal. Na próxima, tinha alguém conhecido; eu com vergonha pedia Sonrisal

Acabei comprando mais de dez envelopes de Sonrisal até conseguir comprar um pacote de camisinhas.

Com quase 20 anos passei num concurso e comecei a trabalhar em um banco estadual. Muito trabalho, a equipe sempre fazia horas extras e o banco fornecia refeições do melhor restaurante da cidade. Eu sempre dizia que não queria, que não estava com fome, etc...

O verdadeiro motivo? Eu não sabia comer direito de garfo e faca e tinha vergonha de comer de colher em público.

Quase morro afogado por vergonha de dizer que não sabia nadar.

Certa vez estava num balneário com uma paquera e ela sugeriu que fôssemos para o outro lado do riacho. Ou atravessava a nado ou caminhava uma boa distância até uma ponte. Como não era fundo, ela preferiu ir nadando e me pediu pra levar a carteira de documentos e a carteira de cigarros dela.

Eu, com vergonha de dizer que não sabia nadar, encarei o desafio imaginando que o riacho dava pé de um lado ao outro. Não dava.

Foi afogamento com direito a salva-vidas. Perdi a carteira de documentos, a carteira de cigarros, a paquera e quase perco a vida junto.

Nesse dia percebí que ou eu acabava com a vergonha ou ela acabava comigo.

Com muita disciplina e muitas situações embaraçosas acabei com ela.

Fiquei assim sem vergonha. Muito-sem-vergonha.

Adriano Trinta

2 comentários:

  1. É... você era muito vergonhoso mesmo! Gostei de seu post. Vou dar uma olhada no blog.

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  2. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...........puts, e eu me achando tímida,sou uma sem-vergonha tbem, ainda bem,rsrsrsrsr.......muito bom post.

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