Quando queremos esquecer alguém, procuramos por um meio rápido e indolor. Será que este meio existe?
É sempre impossível controlar o coração à respeito de quem a gente deve gostar e quem não deve. Inúmeras vezes, nos apaixonamos pela pessoa errada. Alguém que não merece o que sentimos, que não se dedica como nós dedicamos, ou que não nos valorizam como merecemos. Neste momento em que decidimos romper, seria muito mais fácil se apenas o 'adeus' fosse a unica coisa necessária a se fazer. E quanto ao coração?
Existe jeito fácil de se esquecer?
Não!
Os sentimentos funcionam da seguinte forma: quanto mais você pensa na pessoa, mais você gosta, e quanto mais contato se tem com ela, mais você pensa nela. Uma coisa leva a outra, e você se vê girando em círculos, dia após dia, sofrendo sem parar.
Nós alimentamos cada pensamento, e algumas pessoas, são mais vulneráveis do que as outras, simplesmente se entregando seus pensamentos a momentos que se foram, se torturando com auto-piedade, ao invés de seguir em frente.
Admitir o FIM, é o primeiro passo para se esquecer alguém.
Qual a forma mais eficaz?
No meio de tantas coisas complicadas que é o amor, o jeito mais simples é o mais dolorido, e na verdade o único que funciona também.
Neste meio, você precisa saber desde já, que é possível haver recaídas e também que você não queira colocá-lo em prática.
Vamos imaginar o sentimento de paixão que você quer eliminar, como um "câncer". Sabemos que a forma de eliminar um câncer é com a quimioterapia, que também agride em demasia nosso corpo. Assim é no amor.
Para esquecer alguém, você precisa de uma 'quimio pessoal', onde você irá cortar TODA a forma possível de contato com essa pessoa, incluindo amizade (pelo menos no início), e isso vai lhe causar muita dor.
Fazer isso dói muito. Mas nós relutamos em cortar todo o contato, porque ao contrário do câncer, não corremos risco de vida, e ficar perto da pessoa, alimenta uma falsa ilusão de que ela vai voltar a ser legal, ou vai voltar pra gente etc...
Precisamos então saber, que apenas cortando tudo pela raiz, todo tipo de contato, é que conseguiremos voltar a pensar com a cabeça e não com o coração, assim tomando decisões mais racionais, sem sermos impulsivos ou ansiosos.
Se você quer esquecer alguém, precisa entender que mesmo que o "remédio" que você precisa usar seja "ruim", é ele quem vai te curar de verdade.
Concluímos então alguns passos:
- Cortar todos os contatos com essa pessoa em msn e redes sociais
- Não procurar a pessoa, a menos que seja extremamente necessário
- Nunca telefonar ou mandar mensagens
- Procurar conhecer outra pessoa, afim de preenchermos o buraco que ela deixou.
Do Um Ombro Amigo
Vitrine
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O "ficar" pode ser uma indicação de dificuldade em lidar com rejeição
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Muitos jovens são adeptos do “ficar” e, claro, jamais assumem relações sérias. Mas a busca desmedida dos prazeres imediatos, é preciso destacar, pode camuflar tanto insegurança quanto medos e conflitos internos mal resolvidos. O preço que pagam por esse comportamento impetuoso é que fazem escolhas afetivas erradas e vivem relacionamentos superficiais e insatisfatórios.
Foi-se o tempo em que os namorados dançavam música lenta. Nos dias atuais, o ritmo foi substituído pela acelerada batida tecno. Dessa forma, o toque suave na cintura foi trocado pelas "bundadas" do funk. Igual ao compasso da música, os jovens estão apressados e envolvidos em relações sem compromisso. Por trás desse comportamento, pode estar a recusa em aceitar a própria incapacidade de lidar com a solidão, além do medo da rejeição e insegurança. A pior conseqüência de viver dessa maneira é fazer escolhas afetivas erradas e se acostumar com uma vida de misérias emocionais.
Os solteiros em geral parecem estar alérgicos às frustrações e tristezas e não percebem a importância dessas emoções para refinar a personalidade. Assim, insistem em fugir desse desafio e se habituam a viver relações superficiais. O resultado é uma busca desenfreada da satisfação imediata a qualquer preço.
Resta perguntar: o que sobra em termos de afeto do que eles chamam "ficar"? Nada. São dois corpos e nenhuma intimidade. Relação afetiva saudável pressupõe enxergar, sentir, ouvir e processar o mundo interior do outro. Viver relações superficiais é uma armadilha e uma pseudofelicidade. Passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os "ficantes" alugam os ouvidos de um amigo e reclamam de solidão, do descaso e da rejeição. Outros até têm uma pessoa fixa com quem se relacionam, mas parecem viciados em enxergar só o lado negativo do namoro estável.
Para esses, a relação afetiva é igual a um bolo. Só querem comer o recheio, ou seja, a parte boa, mas se esquecem dos outros ingredientes essenciais. Antes de assar havia farinha seca, ovo cru e gordura pura. Somente após passar pelo árduo calor do fogo, o bolo está pronto para ser consumido. O difícil é aceitar que nem a vida nem os bolos têm só os ingredientes preferidos. E isso não torna o caminho menos divertido, e sim mais desafiador.
Enquanto a pessoa viver a vida como se tudo fosse descartável, irá desconhecer o prazer de dormir abraçadinho e roçar os pés sob as cobertas. Em outras palavras, a troca de cumplicidade, o cafuné e o carinho. E assim perde a chance de descobrir o significado do amor.
Ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver os sentimentos. Implica arriscar-se, pagar para ver e correr atrás da felicidade. Doar e receber. É compartilhar momentos de alegria e tirar proveito até das coisas ruins.
É claro que isso tudo demanda esforço. Para amar e ser amado é necessário o reconhecimento das diferenças, pois aquele que lidar melhor com as imperfeições do outro é o que sabe administrar as próprias limitações.
Não vale a pena procurar o amor em qualquer lugar ou pessoa. Isso não é compensador. Não adianta esconder-se atrás dos medos, pois nem sempre amar significa sofrer. Envolver-se com alguém implica a capacidade e a disposição de correr o risco de se lançar ao encontro do outro e desvendar a mais bela singularidade, como diz Roberto Carlos (69) na canção Emoções: "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!"
Por Karine Rizzardi, psicóloga em Cascavel (PR) especialista em casais, família e em aconselhamento familiar, fez pós-graduação em Psicologia na Chicago University, em Chicago, nos Estados Unidos, membro da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef). E-mail: drakarinerizzardi@gmail.com
Do Portal Caras
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Para esquecer alguém
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- Quando decidi esquecê-lo, era tarde, eram três da tarde, era esquecer ou passar outras tardes nubladas como aquela, apesar do sol tostando a calçada do lado de fora do apartamento. Abri as cortinas determinada a arrancá-lo do meu peito.
"A primeira providência foi a mesma das heroínas de novela: tirar as fotos dos porta-retratos. A diferença é que as mocinhas das oito rasgam as fotografias, para, nos últimos capítulos, colá-las com fita adesiva. Preferi guardar todas elas (não eram poucas) dentro de uma caixa de papelão, que não podia ter motivos alegres (florzinhas) ou tristes (chapado em preto), mas sim uma aparência neutra (listras azuis e verdes), onde guardei também um punhado de cartas, cartões e bilhetes amarrados com barbante. A caixa era alta, do tamanho de uma gaveta, porque ele sempre foi um homem carinhoso em palavras escritas e também porque nossas fotos eram muitas, inúmeros flagrantes de momentos de paixão que talvez não se tenha notícia novamente ao redor do mundo. Mas não convém tocar nesse assunto, pelo risco de recaídas."
‘Apaguei o número dele do meu celular para não correr riscos nas noites alcoólicas ou insones que se seguiriam, comprei lençóis novos e me tranquei no quarto. Chorei muitas lágrimas - o processo de esquecer é para mim lento e doloroso ao extremo
"Enquanto descia a escada de alumínio depois de guardar a caixa no armário mais alto da casa, comecei ao mesmo tempo a empurrá-lo para um canto escuro da minha cabeça, onde ele sempre havia sido espaçoso. Em seguida, tirei o reflexo, o reflexo dele, que ainda estava no espelho do banheiro. Passei vidrex. E desembrulhei um sabonete de limão com o qual tirei as impressões digitais dele do meu corpo, principalmente no entorno da cintura. Nas costas, bucha."
"Apaguei o número dele do meu celular para não correr riscos nas noites alcoólicas ou insones que se seguiriam, comprei lençóis novos e me tranquei no quarto. Chorei muitas lágrimas - o processo de esquecer é para mim lento e doloroso ao extremo, ainda que eficaz. Comecei baixinho até chegar aos soluços e depois voltei ao comedimento por pura vergonha dos vizinhos. Passados alguns dias, não mais que três, enxuguei as lágrimas com lenço descartável e dormi com os olhos mais fechados do que o comum."
"Foi quando chegou o momento mais importante que, embora alguns não se dêem conta e daí lamentem as tentativas fracassadas de esquecimento, é inerente ao processo de esquecer alguém: expulsá-lo das minhas memórias, arrancar nossos momentos da minha lembrança, tirá-lo dos meus pensamentos com rigor de exército."
"A partir desse dia, todas as vezes que pensava nele, me obrigava a pensar em outra coisa - sorvete de doce de leite, fim de tarde, samba de roda - mas ainda essas coisas me traziam um pedaço dele. Determinei que não poderia pensar nele por mais do que três segundos e, para tal, lancei mão de outros temas nos quais pensar senão nele, como o funcionamento de uma hidroelétrica, a reprodução dos animais invertebrados e a possibilidade de vida extraterrestre."
"Pedi aos mais próximos que não tocassem no nome dele na minha frente e que me fizessem calar se, em um deslize, eu mesma trouxesse as falas dele para as nossas conversas. Ficou terminantemente proibido que eu chamasse o nome dele à noite, depois de um pesadelo, bem como que eu sussurrasse frases de amor para que ele ouvisse do outro lado da cidade."
"Esquecer alguém exige apagar um bocado de amigos, bares, músicas, apelidos, numa varredura que limpa e também assombra, pelo vazio que deixa. A saída é preenchê-lo com futuro, novos projetos, viagens (que é o que fazem as mocinhas de novelas), drinks, filmes (comédias nunca românticas), amigos e um eventual beijo de língua em estranhos, por mais superficial que esses beijos se revelem no dia seguinte."
"Rasguei folhas do calendário, empurrei os ponteiros do relógio, mas não adiantou muito visto que a última parte do processo de esquecimento está além do desejo humano: é o passar do tempo, que carregou no vento qualquer poeira de amor por ele que ainda sujava o meu peito."
- Demorou quanto tempo?
- Na sua vida, meses. Na minha, anos.
- Foi difícil?
- Difícil é amar outra pessoa.
por Rosana Caiado
Do Bolsa de Mulher
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
União de opostos pode dar certo, mas é preciso haver compreensão
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Quando um parceiro é mais lógico e o outro mais emocional, não tem jeito: eles sentirão dificuldade de se compreender mutuamente. Porém, não é porque temos tendência a pensar de determinado modo que não podemos nos esforçar para entender o modo de agir do outro. Assim é que fazemos quando amamos e assim é que crescemos e nos tornamos melhores.
Recentemente escrevi, nesta coluna, sobre a Teoria dos Tipos Psicológicos, desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl G. Jung (1875-1961). Apresentada em 1923, ela diz, basicamente, que preferências mentais inatas determinam o modo como vemos o mundo e fazemos escolhas, o que, como já dissemos aqui, gera conflitos na vida dos casais. Mas há mais um aspecto nas conclusões de Jung que também impacta os relacionamentos: o fato de nos basearmos em apenas duas atitudes mentais para tomar nossas decisões.
Você deve estar se perguntando: "Como é que seres complexos como os humanos podem ter só duas atitudes para decidir?" A explicação está na divisão de nosso cérebro em dois hemisférios. Quando o direito é o mais usado, decisões e escolhas se baseiam em valores humanos, na harmonia e no que pode favorecer as pessoas e as relações. Quando o esquerdo prevalece, as decisões são mais impessoais, lógicas, justas e analíticas. Veja bem: não estamos falando da personalidade, mas do modo como a cabeça da pessoa funciona. A melhor ilustração de mentes dos dois tipos é a história do rei bíblico Salomão (século X a.C.), que, diante da disputa entre duas mulheres que se diziam mães de um mesmo bebê, ordenou que este fosse cortado ao meio. Assim, revelou a mãe verdadeira - aquela que abriu mão da disputa para preservar a vida da criança. Salomão usou o hemisfério esquerdo ao tomar a decisão. A mãe usou o direito ao desistir da contenda.
Nas relações afetivas, pessoas com atitude mental de escolha lógica acreditam que expressam amor ao parceiro quando o ajudam a resolver problemas, o apoiam na conquista de algum objetivo, provêm recursos para a vida a dois. Pessoas cuja mente escolhe por afetos não reconhecem ações dessa natureza como expressões amorosas, preferem receber palavras e gestos carinhosos, elogios e presentes como sinais de amor.
Os dois também diferirão na hora de ouvir os problemas do parceiro. Quem é de pensamento acredita que o outro precisa de ajuda quando fala de um problema. Aí, naturalmente, tenta dar a solução pronta. Já pessoas de sentimento partem do pressuposto que o outro pode querer apenas desabafar e ficam atentas aos seus sentimentos, em vez de dar a ele uma saída. Esse é um ponto comum de conflitos entre casais. A mulher, em geral de sentimento, chega em casa e quer desabafar com o marido certas dificuldades. Se ele for de pensamento, reagirá oferecendo saídas que ela poderia ter usado. Isso a irritará, uma vez que se julga capaz de encontrar as próprias soluções, o que ela queria era obter dele um pouco de "sensibilidade" ao final de um dia difícil. Ele, por seu lado, se frustrará ao ver suas ideias rejeitadas. Irritado, pensará: "Por que ela pede ajuda se não quer ser ajudada?" Vê? Não é que ele seja insensível. Apenas seu processo mental é diferente do dela.
Difícil? Nem tanto. A união de tipos opostos pode ser feliz. Basta que um pergunte ao outro como prefere ser tratado, ajudado, percebido - e aja de acordo com o que lhe foi dito. Isso é possível porque, embora as preferências mentais sejam inatas, podemos desenvolver o modo de pensar dos tipos opostos. É o que contribui para nosso crescimento e enriquecimento.
Por Rosa Avello, psicoterapeuta na capital paulista, é especialista em sexualidade humana pelo Instituto Sedes Sapientiae, em psicodinâmica aplicada aos negócios pelo Grupo Dirigido (GD) e na aplicação do MBTI (instrumento de identificação dos perfis psicológicos) pelo Instituto Felipelli. E-mail: rosavello@uol.com.br Site: http://www.rosavello.com/
Do Portal Caras
terça-feira, 3 de agosto de 2010
O amor tem suas flutuações. Não vá desistir do seu antes da hora
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Passado o frenesi da paixão, quando um só tem olhos para o outro, o casal vive uma outra fase do amor, mais tranquila, em que os parceiros começam a retomar a individualidade. Essa mudança muitas vezes não acontece ao mesmo tempo para os dois, o que requer de ambos um esforço de compreensão, sob o risco de pôr a perder uma relação promissora.
O ser humano deseja ao mesmo tempo estabilidade e aventura - como nas sagas dos heróis, em que há um período de perigos e façanhas e, depois, a recompensa de uma vida tranquila ao lado dos entes queridos. Para muitos de nós, histórias e mitos são suficientes para satisfazer o desejo de aventura. Tomamos contato com eles sentados na nossa poltrona preferida ou deitados em nossa cama. Enquanto o herói enfrenta apuros nós também os enfrentamos, mas em segurança. Muitas vezes nosso desejo de aventura se aplaca quando nos sentimos na pele do herói. No entanto, nem sempre é assim. Premidos pela curiosidade e pela insatisfação com a rotina, procuramos "sarna para nos coçar", como diriam nossos sábios avós.
Porém, o desejo de estabilidade permanece, ainda que essa estabilidade seja cada vez mais difícil de se alcançar num tempo em que tudo se move. Karl Marx (1818-1883), o filósofo e economista alemão, já dizia que "tudo que é sólido se desmancha no ar". Do universo estático da Idade Média, quando o homem tinha o conforto da previsibilidade, passo a passo chegamos a um mundo em perene movimento. Em seu livro Do Big Bang ao Universo Eterno, o físico carioca Mario Novello (68) escreve que um dos últimos redutos que ainda tínhamos como estático - o Universo - é visto hoje como dinâmico e histórico. Tudo se agita. E, no entanto, continuamos precisando de estabilidade, tanto quanto de instabilidade. O leitor de aventuras está estável, lendo seu livro, e ao mesmo tempo instável, identificando-se com o herói. O soldado está num cenário convulso, com bombas ameaçando explodir seu acampamento, e em meio a tal instabilidade busca estabilidade na fotografia da amada, que contempla e beija para se assegurar a existência de um corpo e de uma alma que o acolherão.
Para duas pessoas apaixonadas, a estabilidade existe na forma de ininterrupção. Eles desejam estar e estão sempre que podem juntos. Isso, para eles, é amor. Só têm olhos um para o outro e nada que não seja sua paixão os distrai. Porém, cedo ou tarde a paixão dá lugar a um sentimento mais tranquilo, que permite que se olhe para os lados, para fora da relação apaixonada. A pessoa que estava perdida dentro da outra retoma a individualidade e, ao fazê-lo, vive processos e sentimentos que estavam latentes. Seu amor, mesmo que sólido e incontestável, não se traduz mais em dedicação total. Agora existem aproximações e afastamentos, flutuações de intensidade e qualidade, sentimentos paradoxais, ambivalências, fantasias, curiosidades que fazem olhar para além da relação.
A mudança pode acontecer em tempos diferentes para cada um. E aquele que continua apaixonado não entende o que se passa. Acha que não é mais amado, e isso se torna fonte de malentendidos. É importante que um se ponha no lugar do outro para entender o que está vivendo, mas pedir isso a um apaixonado é quase perda de tempo. O esforço virá mais facilmente daquele que já passou o período de paixão absoluta. Ele terá condições de compreender e acolher a incompreensão do parceiro, sem se revoltar com o que poderá ser sentido como tentativa de controle e dominação. Talvez valha mais a pena este esforço do que simplesmente se afastar de uma relação amorosa promissora.
Por Nahman Armony, médico psicanalista, membro da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (Spid), do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro e da Federação Internacional das Sociedades Psicanalíticas. Publicou, entre outros livros, Borderline: Uma Outra Normalidade. E-mail: nahman@uol.com.br
Do Portal Caras
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O contrário do amor
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O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.
Martha Medeiros
O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.
Martha Medeiros
domingo, 1 de agosto de 2010
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